Os 9 melhores macarons de Paris: guia definitivo

[Post atualizado em janeiro de 2026] Se você busca os melhores macarons de Paris, precisa se preparar para navegar entre a fantasia histórica da Ladurée, a precisão cirúrgica de Pierre Hermé e a nova guarda, que produz macarons cheios de contemporaneidade, com direito a cores menos “neon” e mais aquarela, dulçor mais contido e recheios com camadas de sabor mais adultas (chá, cítricos, notas florais, tostados).

E quando Paris resolve brincar de aperitivo, aparecem os macarons sucré-salé (quando o contraste doce-salgado vira parte da graça), com recheios que flertam com territórios desafiadores. Para fechar, há também a leva plant-based, tentando chegar perto da textura clássica do macaron, mesmo sem manteiga, leite, creme ou ovos. Sim, há macarons veganos em Paris, da melhor qualidade.

Dica: Ao fim deste post, o mapa atualizado dos melhores macarons de Paris  traz as lojas de cada maison indicada neste post. É só baixar no seu celular pelo Google Maps e correr até a mais próxima.


Os 9 melhores macarons de Paris

Os Gigantes: Ladurée ou Pierre Hermé?

Os 9 melhores macarons de Paris: guia definitivo
Novidades: a caixa Opera National de Paris, da Ladurée, e o cofret da coleção Abysses, de Pierre Hermé | Reprodução Instagram

O macaron, como conhecemos hoje, é uma dessas ideias francesas que parecem simples até você se lembrar que “simples”, em Paris, costuma significar “perigosamente bem executado”. São dois discos aerados e levíssimos (claras, farinha de amêndoas e rigor técnico), unidos por um recheio cremoso. Três texturas num só gesto: crocância, maciez, cremosidade.

E nessa história, há um esporte olímpico bastante praticado na capital francesa: comparar Pierre Hermé com Ladurée. Ambas são mestras na arte. Para facilitar sua decisão na hora de escolher onde comprar macarons em Paris, aqui vai um comparativo rápido, baseado na experiência real de degustação:

LaduréePierre Hermé
EstiloClássico, “Paris de época”Alta-costura, inovador
Ponto ForteRigidez clássica, embalagens lindasOusadia no sabor, textura complexa
Melhor paraSalão de chá e Presentear Experiência gastronômica
VeredictoPerfeição clássica e de vitrinePerfeição técnica e de paladar

 

Os 9 melhores macarons de Paris

Ladurée: onde tudo começou

Os 9 melhores macarons de Paris: guia definitivo
Paris em miniatura (e em macaron) |

A Ladurée nasceu como padaria em 1862, na Rue Royale, e virou salon de thé após um incêndio em 1871. Jeanne Souchard teve a ideia de unir a pâtisserie com o ritual do café, definindo a “Paris elegante” que reconhecemos hoje.

Sim, porque o macaron original era bem diferente do que conhecemos hoje.

Costuma-se atribuir à chegada de Catarina de Medici à França, em 1533, a entrada desse biscoito de amêndoas no circuito aristocrático. E, se você quiser provar uma tradição sem recheio, mais rústica, a Maison des Sœurs Macarons, em Nancy, se apresenta como guardiã da receita “desde 1793” (inclusive com loja na 21 rue Gambetta).

Voltando ao macaron parisiense, a própria Ladurée credita a virada a Pierre Desfontaines, primo pequeno de Louis Ernest Ladurée (1836-1904), que em meados do século XX teve a boa ideia de juntar os discos dos macarons, dois a dois, e enfeitá-los com ganache.

Sabe de onde você vai levar macarons como lembrança para alguém especial? Sim, da Ladurée

  • Sabores Clássicos: Baunilha, pistache, rosa, café, caramelo com manteiga salgada.

  • Minha Opinião: Tecnicamente impecável, ainda que parte do encanto esteja no ritual e na embalagem. Para trazer como presente, a Ladurée continua sendo incontornável.

  • Onde comprar: O endereço histórico, onde a Ladurée estabeleceu seu famoso salon de thé: 16, Rue Royale, no 8º arrondissement. O mais conhecido e retratado é o da Champs-Élysées (nº 75), onde o turismo de massa faz fila para postar no Instagram. E o da Rue Bonaparte (nº 21), em Saint-Germain-des-Prés, tem um charme particular.


Localize as lojas da Ladurée no mapa  ao fim deste post pela cor verde.

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Os 9 melhores macarons de Paris

Pierre Hermé: alta costura da confeitaria

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Pistache e flor de laranjeira: Paris em verde, com assinatura contemporânea de Pierre Hermé

Grosso modo, se a Ladurée vende fantasia em tons pastel, Pierre Hermé vende precisão. Hermé transformou o macaron em uma linguagem: ora clássico, ora surpreendentemente fora do script. A vitrine muda conforme a estação, lembrando que a confeitaria francesa também segue calendário.

Costumo alertar: não diga que não gosta de macaron antes de provar um Pierre Hermé

Nas lojas de Pierre Hermé, o macaron é arquitetado. Você toca, ele cede. Você morde, ele estala em um crocante refinadíssimo e então a massa se mantém úmida, com recheio generoso.

  • Destaque: Combinações improváveis (morango com wasabi) e texturas com umami.

  • Jour du Macaron: Em março (por volta do dia 20), a casa costuma puxar o Dia do Macaron, organizado pela associação Relais Desserts, que utiliza o macaron como caminho para financiar grandes causas.

  • Onde comprar: a loja central de Pierre Hermé, na Rue Bonaparte, está no coração de Saint-Germain-des-Prés. Fica muito perto da Abadia de Saint-Germain-des-Prés e a uma caminhada fácil dos Jardins de Luxemburgo, ideal para comer e passear.

No vídeo abaixo, o chef Mickaël Marsollier mostra como são preparados os macarons Chuao, à base de chocolate da Chuao Chocolatier e cassis:

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Localize as lojas Pierre Hermé no mapa ao fim deste post pela cor amarela.

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Os 9 melhores macarons de Paris

Especialistas em chocolates e salões de chá

Os 9 melhores macarons de Paris: guia definitivo
Um gole de Paris: macarons com chocolate quente da Carette, explosão de chocolate de Jean-Paul Hévin

Jean-Paul Hévin: atenção, chocólatras!

Vou ser clara: se você se autoproclama “chocólatra”, já foi a Paris e nunca cruzou a soleira de Jean-Paul Hévin, está mentindo para si mesmo. Com seu título de Meilleur Ouvrier de France (1986) devidamente conquistado, Hévin construiu um universo que não admite bobagens, onde o chocolate amargo é o único governante.

  • O Macaron: Não espere uma algazarra colorida. Aqui o chocolate é rei, e seu palácio não é um parque de diversões, mas uma sala de cirurgia. O macaron Crème Brûlée e, especialmente, o Pablino (feito com chocolate amargo Grand Cru du Pérou) não oferecem uma “explosão de sabores”, mas uma precisão brutal e controlada. É o sabor calculado, e por isso funciona.

  • Onde comprar: Galeries Lafayette Gourmet (35 Bd Haussmann), a rua mais frenética do 9º arrondissement, perto da Opéra Garnier e de outras grandes lojas de departamento, a alguns passos de distância de outros luxos.

Carette: art de vivre e cenário de filme

A Carette não é um lugar para uma “dar uma passadinha”. É um estado de espírito desde 1927. Os salões, decorados por Hubert de Givenchy em um estilo Art Déco que cheira a old money, existem para que você coma à mesa. É um ritual obrigatório de autoafirmação parisiense, sob o comando discreto do chef Frédéric Tessier. E se você precisar de calor líquido, o chocolate quente da Carette é quase uma refeição: denso, sem ser pastoso, e pecaminosamente rico.

  • O Ritual: Os macarons são excelentes e o produto principal é a experiência completa. Você não está pagando apenas pela massa e pelo recheio, mas pela oportunidade de se sentar na esplanada do Trocadéro ou da Place des Vosges, observando o resto do mundo correr.

  • Onde comprar: Trocadéro, Place des Vosges (cenário emblemático) e Place du Tertre (apenas para viagem).


Os 9 melhores macarons de Paris

A ruptura da nova guarda

Os 9 melhores macarons de Paris: guia definitivo
Extremos com a mesma delicadeza: o caramelo salgado com sriracha da Gem la Patisserie e o macaron da Pain de Sucré, servido com sorbet de framboesa  

Gem la Pâtisserie: onde as Filipinas encontram a França

A Chef Gemilyn Guina pegou o manual sagrado do Le Cordon Bleu e decidiu que ele precisava de mais vida. A Gem la Pâtisserie não pede desculpas: usa a técnica francesa impecável apenas como veículo para o calor tropical. É uma confeitaria que rejeita a timidez europeia e abraça o sotaque vibrante do Sudeste Asiático..

  • A Fusão: O trunfo aqui é o choque de texturas clássicas com ingredientes que gritam no prato. Esqueça aquela sutileza floral entediante; a assinatura é a intensidade, o contraste e o uso inteligente de especiarias que realmente têm algo a dizer.

  • Sabores de Destaque: O brilhante Caramelo Salgado com toque de Sriracha (sim, ardor real), o visualmente impactante Ube (inhame roxo), além dos potentes Durian e Calamansi.

  • Onde comprar: 1 Rue de Marivaux, perto do Palais Brongniart (antiga Bolsa de Valores de Paris) e da Opéra Garnier.

Pâtisserie Pain de Sucré: o charme da precisão

No Marais, Nathalie Robert e Didier Mathray não estão para brincadeira com a Pain de Sucré. Eles entregam um manifesto comestível, despido de “glamour” visual desnecessário. A estética rústica é apenas fachada para uma obsessão técnica e um respeito quase religioso pelo ingrediente. É confeitaria para adultos.

  • A Essência: O macaron aqui não é um enfeite, é um argumento: direto, com massa rica em amêndoas e recheios que cortam o açúcar drasticamente. A experiência é tátil (o uso de luvas para se servir dá um ar clínico, mas garante pureza) e o foco é sabor, não a foto do Instagram.
  • Sabores de Destaque: Os intensos e bem resolvidos, como Menta Fresca com Chocolate (nada de pasta de dente), Baunilha de Madagascar, Pistache com Cereja Morello e Chá de Jasmim.
  • Onde comprar: 14 rue Rambuteau, perto do Centre Pompidou e do Marché des Enfants Rouges.

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Os 9 melhores macarons de Paris

Aventureiros, clássicos e veganos

Para facilitar seu roteiro, agrupei estas maisons de acordo com o estilo:

Os 9 melhores macarons de Paris: guia definitivo
Maison Mulot, Sadaharu Aoki e Land&Monkeys
  • Para os Locais (Maison Mulot): Uma instituição de Saint-Germain-des-Prés que funciona como uma confeitaria de bairro bem treinada. Os macarons têm um acabamento que se permite ser rústico (no melhor sentido da palavra, o que significa que é feito por pessoas reais) e um dulçor mais pronunciado, remetendo a uma Paris menos preocupada em agradar turistas. É onde os locais (que realmente entendem do assunto) vão buscar o doce de todo dia. Uma instituição de Saint-Germain-des-Prés. Onde: 76, Rue de Seine, no 6º arr., a poucos passos do mercado Saint-Germain

  • Toque Japonês (Pâtisserie Sadaharu Aoki): o encontro entre a técnica francesa e uma mente japonesa genial. Sadaharu Aoki não está aqui para brincadeira, ele está aqui para refinar, com açúcar minimizado e complexidade  maximizada. O destaque é dado à terra, com notas de matcha, gergelim negro. É uma aula de como a contenção pode levar à intensidade. Onde: 35, Rue de Vaugirard, no 6º, perto do Jardim de Luxemburgo, mas também em pontos de venda como as Galeries Lafayette e o Printemps du Gôut.

  • Macarons veganos (Land&Monkeys): sob o comando de Rodolphe Landemaine, se propõe a seguir a cartilha francesa em uma versão 100% vegetal (sem manteiga, leite ou ovos). Esta é a prova de que se um produto sem ingredientes animais não for bom o suficiente para quem come carne, ele não é bom o suficiente para ninguém. E o fato de estarem prosperando prova que o sabor está lá. Onde: 86, Rue de Turenne (3º arr.), no Marais, com lojas também na Rue Saint-Martin (nº 203) e na Rue de la Pompe 158.

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Os 9 melhores macarons de Paris

Direto ao ponto: dúvidas frequentes

Se você quer saber mais sobre os melhores macarons de Paris, aqui vai um atalho para a excelência na capital francesa.

Qual o macaron mais famoso de Paris: Ladurée ou Pierre Hermé?

Certamente os da Ladurée. A fama não se deve apenas ao macaron em si, mas ao fato de a maison ter vendido uma fantasia de Paris ao mundo. É a marca que definiu o ritual do salon de thé e transformou a embalagem numa missão: levar a capital francesa para casa. A imagem da caixa verde-água é universalmente reconhecida, tornando-a a escolha incontornável como souvenir e a mais presente na cultura pop.  Já o macaron de Pierre Hermé é aclamado como o mais técnico e genial, famoso entre os iniciados. Ambos alcançaram a excelência técnica e são inegavelmente obrigatórios no roteiro.

Quanto tempo dura um macaron fresco?

Pessoalmente, penso que o macaron deve ser tratado como uma iguaria de vida curta. O disco aerado (o coque) não foi feito para durar na geladeira. Mas há um consenso geral na confeitaria que precisamos respeitar, citando um prazo de três dias para preservar suas características. David Lebovitz, autor de The Sweet Life in Paris, reforça o rigor na armazenagem e no consumo rápido, e instrui a armazenar os macarons em um recipiente hermético por até cinco dias, ou congelar.  Já Pierre Hermé instrui a, dependendo da receita, manter na geladeira por até dois dias, deixando em temperatura ambiente por duas horas antes de servir.

Macaron tem lactose?

Muitos têm, porque recheios frequentemente levam manteiga, creme ou chocolate ao leite. Para fugir disso, busque versões plant-based (há casas em Paris fazendo bem).

Vale a pena provar macarons veganos?

Durante muito tempo, deixaram a desejar. A remoção do ovo e dos laticínios parecia remover a alma do macaron. Mas a Land&Monkeys provou o contrário. Eles oferecem uma versão que adere à cartilha francesa, entregando um produto que não apenas substitui os ingredientes de origem animal, mas justifica a substituição. E provam que a ausência de manteiga e claras não é desculpa para a ausência de sabor. Outro ponto positivo: a casa oferece versões vegetais de alta qualidade com sabores como pistache e framboesa.

Vou levar macarons de presente: qual o jeito mais seguro de transportar?

Leve na cabine, não despache. Prefira caixa rígida e evite calor excessivo (recheio sofre). E se o trajeto for longo, pense em “logística de sobremesa”: comprar mais perto da hora de viajar ou escolher sabores mais estáveis.


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Jornalista e consultora nas áreas de gastronomia e viagem, não recusa uma taça de um bom Syrah. Editora de Estilo da revista ISTOÉ Dinheiro, foi diretora de redação da revista WINE, crítica de restaurantes da revista Playboy, repórter e apresentadora na Rede Globo São Paulo e TV Cultura.
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