Ntsiki Biyela, a primeira-dama do vinho sul-africano

Ntsiki Biyela, a primeira dama do vinho sul-africano
A trajetória da primeira mulher negra a se tornar enóloga na África do Sul

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É um orgulho poder contar um pouco sobre a trajetória de Ntsiki Biyela, considerada a primeira-dama do vinho sul-africano, à frente da Aslina Wines. A vinícola está localizada em Stellenbosch e lançou no mercado seus primeiros exemplares em 2017.


Ntsiki Biyela, a primeira-dama do vinho sul-africano

A distinção
Ntsiki Biyela, a primeira-dama do vinho sul-africano
Aslina Wines

Ntsiki é a primeira mulher negra a conquistar o cargo de enóloga na África do Sul – e há de chegar o dia em que a gente não tenha mais que ressaltar etnias à frente de conquistas.

Por enquanto, é algo a exaltar em qualquer parte, mas com ênfase ainda maior na África do Sul. Afinal, vinte e cinco anos após o fim do Apartheid (1948-1994), o país de Nelson Mandela vive a pesada herança da política segregacionista institucionalizada.

Com o mérito do pioneirismo, vem também a responsabilidade, sob estereótipos cruéis

A dura realidade enfrentada pela maioria negra sul-africana inclui diferenças de padrão de vida com relação ao brancos, desigualdade de renda e difícil acesso ao mercado de trabalho. E, neste caso, cada conquista requer esforço multiplicado para se concretizar.

No caso de Ntsiki Biyela, junto com o mérito do pioneirismo vem também a responsabilidade, sob estereótipos cruéis, de abrir e preparar o caminho para os profissionais seguintes.

Ntsiki Biyela, a primeira-dama do vinho sul-africano
Primeiras conquistas
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Ntsiki Biyela, a primeira-dama do vinho sul-africano
Aslina Wines

Ntsiki Biyela nasceu (1978) e cresceu em Mahlabathini, vila rural em Kwazulu Natal, e se matriculou no ensino médio em 1996.

O vinho irrompeu o destino da jovem Nitski quando foi recrutada para concorrer a uma bolsa de estudos concedida pela South African Airways, para cursar vinicultura na Universidade de Stellenbosch.

Assim, sem planejar, sem desejar.Ntsiki Biyela, a primeira-dama do vinho sul-africano

Em 1999, começou a estudar na instituição. E em 2003 se formaria. Antes de entrar na faculdade, trabalhou por um ano como empregada doméstica.

O início da atividade profissional aconteceu no ano seguinte. Na Stellekaya Wines, vinícola boutique em Stellenbosch, Ntsiki trabalharia por 13 anos e se tornaria a primeira enóloga negra da África do Sul.

Foi, aliás, com seu primeiro blend tinto, elaborado na Stellekaya Wines, que a enóloga faturou o ouro no prestigiado Michelangelo International Wine and Spirits Awards, em 2009.

A vinícola é conhecida pela produção de tintos premium em pequena escala (atualmente, 40 mil garrafas por ano).

A vontade de elaborar vinhos em uma vinícola própria cresceu após Ntsiki colaborar com a enóloga californiana Helen Kiplinger, no projeto Wine for the World, de Mika Bulmash (na foto abaixo).

Ntsiki Biyela, a primeira-dama do vinho sul-africano
Wine for the World

A iniciativa reúne produtores de vinho emergentes de vários países e destaca talentos. A ideia é promover o intercâmbio e aproximar profissionais do meio da vitivinicultura.

Os planos da jovem enóloga foram reforçados durante o trabalho como consultora em Bordeaux, no projeto Winemakers Collection. Nele, a cada ano um enólogo é convidado para criar e assinar vinhos no terroir do Château d’Arsac, no Médoc.

Do trabalho na vinha ao engarrafamento, os enólogos convidados têm carta branca para desenharem seus exemplares. Já participaram Michel Rolland, Susana Balbo, Hubert de Boüard, entre vários outros profissionais respeitados.

Ntsiki Biyela, a primeira-dama do vinho sul-africano
Aslina Wines
Ntsiki Biyela, a primeira-dama do vinho sul-africano
Wine for the World

Em 2017, Ntsiki finalmente lançou os vinhos Aslina, da vinícola homônima, em Stellenbosch, um negócio autofinanciado. Aslina era o último sobrenome da avó da enóloga. Foi ela a primeira pessoa a provar o primeiro vinho que Ntsiki produziu.

Atualmente, a vinícola produz três varietais (Chardonnay, Sauvignon Blanc e Cabernet Sauvignon) e um corte bordalês. Todos são elaborados com uvas cultivadas em vinhedos locais, de pequenos produtores.

O projeto da vinícola Aslina foi financiado com o apoio da Wine for the World. E ainda não conta com vinhedos próprios.

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As notas de degustação de Ntsiki são famosas por fugirem dos padrões. Sobre seu Sauvignon Blanc, ela disparou:

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“Revela a história única e selvagem de nosso processo de produção de vinho […] um sabor de mudança de vida em seu paladar”.

Já o blend tinto, Umsasane, foi descrito assim:

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“Umsasane é a palavra zulu para guarda-chuva, que dá abrigo, proteção e conforto [..] a estrutura arrojada, a suavidade e a complexidade deste vinho honram as características de Aslina, matriarca da família”.

Um bom vinho é qualquer vinho que excite seu paladar, cada um tem um paladar diferente, então as perguntas mais importantes são: ‘Eu aprecio este vinho?’ E, se sim, ‘por quê?’

Ntsiki Biyela, a primeira-dama do vinho sul-africano
Aslina Wines
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Aslina Wines

 

Além de orquestrar a vinícola, Ntsiki Biyela integra o conselho de diretores da Pinotage Youth Development Academy. A instituição oferece treinamento técnico e desenvolvimento pessoal para jovens sul-africanos na região de Cape Winelands. E prepara a turma para trabalhar na  indústria do vinho.

São estudantes como Andisiwe Ketsive, cuja história você conhece no vídeo abaixo. “Nitsky Biyela é minha mentora, é uma das enólogas negras e ela é a melhor”, enaltece. “No início eu achava que a profissão de enólogos era para os homens brancos, mas agora vejo que não é mais assim”.

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Sobre enfrentar preconceitos e romper padrões, Ntsiki afirmou em uma entrevista ao site sul-africano Citadel Wealth Management: “Para jovens mulheres e homens, digo que é importante estar ancorado e não permitir que nada impeça vocês de alcançarem seus objetivos. Façam tudo com amor”.

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Ntsiki Biyela, a primeira-dama do vinho sul-africano
Jornalista e consultora nas áreas de gastronomia e viagem, não recusa uma taça de um bom Syrah. Diretora de redação da revista Wine, publicação sobre vinhos de maior tiragem do Brasil, foi crítica de restaurantes da revista Playboy, repórter e apresentadora na Rede Globo e TV Cultura.
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