10 vinhos para o inverno

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Vinhos para o inverno: antes de começar a indicá-los, é importante esclarecer que não há vinhos específicos para esta ou aquela estação. O que acontece é que o clima tem influência decisiva sobre a escolha dos nossos alimentos e, consequentemente, sobre os vinhos que os acompanham.

Sim, é sobretudo uma questão de harmonização.

Se no inverno a gente prefere pratos mais calóricos e gordurosos (que aquecem e ajudam a enfrentar o frio), o melhor a fazer é selecionar vinhos que não sejam ofuscados pela robustez da comida. O objetivo é evitar o desconforto de sentir o vinho simplesmente sumir ao acompanhar pratos como massas suculentas, assados, queijos e fondues.

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Uma boa dica ao escolher vinhos para o inverno é optar pelos mais concentrados e alcoólicos, com bom corpo e estrutura

Castas como Malbec, Tannat, Syrah e Cabernet Sauvignon são mais propensas a se darem bem nos dias frios

Outro fator importante na escolha de vinhos para o inverno: não se prenda apenas aos tintos. Há brancos que vão muito bem nos dias frios, por serem complexos, passarem por madeira e apresentarem boa acidez e uma bem-vinda e moderada untuosidade. Em boa parte dos casos, esses brancos são elaborados com Chardonnay.

Selecionei opções com boa relação custo/benefício e também alguns rótulos considerados premium. Para evitar que o post fique desatualizado em função da variação do dólar, não postei os valores aqui, mas eles podem ser conferidos com um clique, nos links que informo nas sugestões.

Vamos a elas?

10 VINHOS PARA O INVERNO

 

10 vinhos para o inverno

MAYCAS DEL LIMARÍ SYRAH
Valle del Limarí, Chile
Maycas del Limarí
Adoro os Syrah produzidos pela Maycas del Limarí, vinícola chilena que vem desenvolvendo um trabalho bem interessante, com vinhos de alta gama e ótima relação custo/benefício. Este, particularmente, é encorpado e frutado, equilibra muito bem notas de especiarias e madeira – o vinho estagia por 18 meses em barricas de carvalho francês. A mineralidade é outra característica bastante agradável neste caso. Vai bem com filé ao molho poivre, rabada com agrião, galinha ao molho pardo, entre outros pratos vigorosos.  Na Wine.com.br


10 vinhos para o inverno

TARIMA ORGÂNICO 2012
Alicante, Espanha
Bodegas Volver
De corpo médio para encorpado, este tinto produzido com uvas Monastrell de cultivo orgânico tem passagem de seis meses por barrica de carvalho. É um vinho com ótima concentração e acidez, que destaca notas aromáticas intensas de frutas vermelhas, como cereja. Acompanha bem assados de cordeiro e de carnes vermelhas em geral e pratos à base de cogumelos, como risotos. A graduação alcoólica é mais alta (15°) e o ideal é um período de decantação de 3o minutos. Na Grand Cru. 


10 vinhos para o inverno DÃO PORTA DOS CAVALEIROS 2010
Dão, Portugal

Caves São João
Um dos clássicos da região do Dão, este tinto tem estilo mais austero, com corpo médio e boa persistência. É elaborado a partir de um corte de Touriga Nacional, Alfrocheiro, Aragonês e Jaen, com 20% com passagem por carvalho francês. O destaque:  dois anos de envelhecimento em garrafa antes da comercialização. Além da madeira, as notas aromáticas destacam frutos vermelhos maduros, ameixas e uvas passas. Ótimo acompanhando queijos, carnes com molhos encorpados ou mesmo peixes gordos, como atum e sardinha. Na Vinci.

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10 vinhos para o invernoFILIPA PATO BICAL ARINTO 2011
Beiras, Portugal

Filipa Pato & William Wouters
Agora começa a brincadeira. Com este vinho produzido por Filipa Pato, vamos quebrar a regrinha chata do “branco no verão, tinto no inverno”.  Elaborado a partir das variedades Bical e Arinto, tem passagem de 20% do mosto por carvalho francês. Um branco elegante, com ótima estrutura e acidez marcante, o que permite uma gama mais ampla de harmonização. Outra característica é a untuosidade equilibrada. Encorpado, com aromas de frutas brancas e notas florais, acompanha pratos com molhos densos à base de manteiga, creme de leite ou queijo. Na Wine Store.


10 vinhos para o invernoMONTES ALPHA CHARDONNAY 2014
Valle de Casablanca, Chile
Viña Montes
Outro branco para os dias frios. Neste caso, um chileno elegante, produzido pela respeitada Viña Montes no Valle de Casablanca, considerado a melhor região do país para o cultivo de uvas brancas. Encorpado, com um ano de amadurecimento em barricas de carvalho francês, traz notas de banana, abacaxi e frutas tropicais bem integradas com a madeira. Harmoniza não somente com aves, peixes e frutos do mar, mas também com vitela, queijos e coelho. Na Mistral . 


10 vinhos para o inverno

MIOLO LOTE 43 2014
Vale dos Vinhedos (RS)/Brasil
Miolo Wine Group
Muita gente que curte vinho ainda está despertando para a produção nacional. Este, particularmente é um dos ícones da nossa viticultura, produzido somente em safras excepcionais: em 17 anos, apenas sete edições foram lançadas. Produzido pela Miolo, o Lote 43 é um corte de Merlot e Cabernet Sauvignon, com aromas complexos de ameixa, tabaco, trufas e cacau. Com passagem de um ano por carvalho francês, tem grande estrutura, textura macia e agradável frescor, com ótimo volume na boca. Pede carnes macias e suculentas, assados de carne de caça ou um bom churrasco gaúcho. No site da Miolo

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10 vinhos para o inverno

CADUS MALBEC 2009
Mendoza, Argentina
Cadus Wines
Conheci este Malbec premium produzido pela Cadus – vinícola irmã do grupo Nieto Senetiner – no restaurante 1884, do chef Francis Mallmann, em Mendoza (leia o post aqui). É um vinho surpreendente, que ganha corpo e complexidade ao estagiar por dois anos em carvalho francês, com notas olfativas de cereja, baunilha e tosta, boa acidez e taninos finos. O final é agradavelmente harmônico. Ótimo vinho para o inverno, acompanhando pratos à base de carnes vermelhas e queijos curados. Deixe decantar por uma hora. Na Wine Store.   

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10 vinhos para o inverno

GARZÓN SINGLE VINEYARD TANNAT 2015
Maldonado, Uruguai
Bodega Garzón
Esqueça os Tannats rústicos e rascantes. Este Tanant elegante foi o melhor que já experimentei, muito agradável de beber, com taninos muito bem trabalhados. É produzido por uma das vinícolas mais jovens do Uruguai, a Bodega Garzón, que vem conquistando prêmios consecutivos – o último deles com este rótulo, considerado  o melhor varietal tinto de 2017 pela revista britânica Decanter. Com estágio entre 12 e 18 meses em carvalho francês e notas aromáticas de frutas vermelhas, ameixas pretas, tabaco e chocolate amargo, traz uma suculência deliciosa ao paladar, com final longo. Ótimo com carnes vermelhas, de caça (especialmente cordeiro), massas e queijos. Na World Wine.


10 vinhos para o invernoRESERVA ALMAÚNICA SYRAH 2014
Vale dos Vinhedos, Brasil
Vinícola Almaúnica
Meu vinho nacional favorito atualmente, uma surpresa agradabilíssima. Produzido pela Almaúnica, uma das vinícolas mais jovens do Vale dos Vinhedos,  é um tinto encorpado e complexo, 100% Syrah. As notas aromáticas e o paladar combinam especiarias e frutas escuras maduras, além de alcaçuz, couro e tosta. Tem 20 meses de passagem por carvalho ( metade francês, metade norte-americano), em barricas novas e de segundo uso. Ótimo com queijos fortes, lombo de cordeiro, carnes de caça, risotos e massas com molhos ricos. O ponto negativo: é muito difícil encontrá-lo à venda em outros lugares que não sejam o site da Almaúnica (que só vende seus vinhos em caixas com 6 unidades). De qualquer forma, vale muito a pena.


10 vinhos para o invernoWARRE’S PORTO WARRIOR RESERVE
Douro, Portugal
Warre’s
É claro que um bom Porto não poderia ficar fora desta lista de vinhos para o inverno, especialmente acompanhando uma bela tábua de queijos, como aperitivo, ou coroando a refeição, acompanhando sobremesas reconfortantes. Este, produzido pela Warre’s, é robusto, concentrado e com final longo e complexo. Moderadamente tânico, tem notas aromáticas intensas de cereja, ameixa e groselha mescladas com canela e outras especiarias picantes. Na boca, equilibra dulçor e maciez. Ótima companhia para queijos curados e azuis com nozes, e também sobremesas à base de frutas vermelhas e chocolate-meio amargo. Na Decanter.

Bom inverno, bons brindes!

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10 vinhos para o inverno
Jornalista e consultora nas áreas de gastronomia e viagem. Foi diretora de redação de publicações especializadas como Wine.com.br e Meridiani, e crítica de restaurantes da revista Playboy, além de repórter e apresentadora na Rede Globo, Record e TV Cultura.
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