Festa de Babette

A festa de Babette (Babettes Gaestebud, 1987) conta a história da francesa Babette (Stéphane Audran), que chega a um vilarejo dinamarquês em 1871, refugiando-se da repressão à Comuna de Paris. Ela se oferece para trabalhar de graça, cozinhando e arrumando a casa das irmãs Filippa (Bodil Kjer) e Martine (Birgitte Federspiel): as duas senhorinhas são filhas de um severo pastor protestante, morto há algumas décadas.

Tempos depois, Babette ganha 10 mil francos na loteria e resolve preparar um jantar em homenagem ao centenário do nascimento do pastor. E a desconfiança inicial  por parte dos convidados dá lugar ao alumbramento: todos se rendem ao banquete preparado pela francesa.

O filme faturou indicações e prêmios em todo o mundo, entre eles o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1988. O trecho do vídeo mostra a finalização de um vistoso savarin, servido com figos e cerejas.

 Confira o menu completo:

 MENU

Pratos

Potage à la Tortue
(sopa de tartaruga)

Blinis Demidoff au Caviar
(Blinis com caviar e creme azedo)

Caille en Sarcophage avec Sauce Périgourdine
(Cordoniz em massa folhada com foie gras e molho de trufas)

 Salade d’endives aux noix
(Salada de endívias com nozes)

Les Fromages e les fruits
(Queijos e frutas sortidos)

Savarin au Rhum avec des Figues et Fruit Glacée
(Bolo levíssimo com calda de rum com figos e frutas glaçadas)

Vinhos

Amontillado

Veuve Cliquot 1860

Raros exemplares de “Clos de Vougeot”

Sauternes

Café e conhaque Grande Champagne

Para terminar, reproduzo um texto adorável sobre o filme, escrito por Rubem Alves:

“Quem pensa que a comida só faz matar a fome está redondamente enganado. Comer é muito perigoso. Porque quem cozinha é parente próximo das bruxas e dos magos. Cozinhar é feitiçaria, alquimia. E comer é ser enfeitiçado.

Sabia disso Babette, artista que conhecia os segredos de produzir alegria pela comida. Ela sabia que, depois de comer, as pessoas não permanecem as mesmas. Coisas mágicas acontecem. E desconfiavam disso os endurecidos moradores daquela aldeola, que tinham medo de comer do banquete que Babette lhes preparara. Achavam que ela era uma bruxa e que o banquete era um ritual de feitiçaria.

No que eles estavam certos.

Que era feitiçaria, era mesmo. Só que não do tipo que eles imaginavam. Achavam que Babette iria pôr suas almas a perder. Não iriam para o céu.

De fato, a feitiçaria aconteceu: sopa de tartaruga, cailles au sarcophage, vinhos maravilhosos, o prazer amaciando os sentimentos e pensamentos, as durezas e rugas do corpo sendo alisadas pelo paladar, as máscaras caindo, os rostos endurecidos ficando bonitos pelo riso, in vino veritas…

Está tudo no filme A Festa de Babette.

Terminado o banquete, já na rua, eles se dão as mãos numa grande roda e cantam como crianças… Perceberam, de repente, que o céu não se encontra depois que se morre. Ele acontece em raros momentos de magia e encantamento, quando a máscara-armadura que cobre o nosso rosto cai e nos tornamos crianças de novo.

Bom seria se a magia da Festa de Babette pudesse ser repetida…”

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Festa de Babette
Jornalista e consultora nas áreas de gastronomia e viagem, atualmente diretora de redação da revista Wine.com.br, publicação sobre vinhos de maior tiragem do Brasil. Foi crítica de restaurantes da revista Playboy, repórter e apresentadora na Rede Globo, Record e TV Cultura.
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